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O Demônio da Perversidade (Edgar Allan Poe)

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Ao examinar as faculdades e impulsos dos móveis primordiais da alma humana,
deixaram os frenólogos de mencionar uma tendência que, embora claramente existente
como um sentimento radical, primitivo, irredutível, tem sido igualmente desdenhada por
todos os moralistas que os precederam. Por pura arrogância da razão, todos nós a temos
desdenhado. Temos tolerado que a sua existência escape aos nossos sentidos unicamente
por falta de crença, de fé, quer seja fé na Revelação ou fé na Cabala. A idéia dessa
tendência nunca nos ocorreu simplesmente por causa de sua superfluidade. Não víamos
necessidade do impulso, nem da propensão. Não podíamos perceber-lhe a necessidade.
Não podíamos compreender, isto é, não podíamos ter compreendido, dado o caso de ter-se este primum mobile introduzído a força, não podíamos ter compreendido de que maneira poderia ele promover os objetivos da humanidade, quer temporais, quer eternos.